A final dos sonhos

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Sonhei que não existiam as “semis”. Só decisão. Isso mesmo. Pulei o penúltimo capítulo e fui direto ao finale episode. E qual seria a final dos meus sonhos para a Libertadores 2015? Sport Club Internacional vs. Club Atletico River Plate. Brasil vs. Argentina. Gauchos vs. Hermanos. Beira-Rio x Monumental de Nuñez. Churrasco vs. Parrilla. Picanha vs. Entrecot. Ambrosia vs. Alfajor. E por ai vai.

Até aqui já tem metade da nação colorada querendo me matar, por pensar na decisão faltando ainda 90 minutos de um jogo casca-grossa no México. Mas, inconscientemente tudo vale. Me dei esse direito. Sonho é sonho. Ele veio e eu deixei rolar. Lá nas profundezas da minha mente, me deixei sonhar um pouquinho. Estava lá, cravado num painel imaginário. Internacional e River Plate fariam uma inédita e épica final. Dois grandes do futebol das américas e do mundo. Duas grandes histórias. Dois bicampeões da américa pelejando pelo tri. Fantástico.

Depois deste parágrafo, outra metade também quer me matar. Estes querem meu escalpo por sonhar com o River na final, ao invés do insosso Guarani do Paraguai. Mas, sempre prefiro assim. Meu inconsciente não mente, não me engana. Quer emoção. Quer história. Quer a corda esticada ao máximo. O Inter funciona melhor assim. Não pode haver 5 segundos de cochilo. Se a coisa começa a parecer levemente mais fácil, a casa já cai. Tem que ter desafio, adrenalina. Se não, não rola. Achei muito bom quando o Atlético Mineiro caiu no caminho do Inter nesta Libertadores. Amigos meus estão de prova, quando não tremi com este embate. Pois fizemos dois jogos épicos com o melhor time do Brasil, segundo a imprensa esportiva. Passamos de fase. Eu e toda a torcida colorada ficamos bem sovados. Mas, foi.

Voltemos ao delírio onírico. Internacional contra River Plate seria um duelo digníssimo para esta Copa. Não falta tradição para estes dois clubes. Os dois tem dois grandes estádios, onde cada degrau de arquibancada tem voz própria. Dois campeões do mundo voltando a decidir um título sul-americano. E não faltam craques nas suas histórias. De Falcão a Francescoli, Figueroa a Falcão Garcia. Ídolos sobram aos dois gigantes. Chegam a dividir um. Andrés D’Alessandro. Nascido no River, mas eternizado no Inter. Que final seria para El Cabezón. Que mistura de emoções. O que passaria na cabeça do criador do La Boba ao pisar nos dois gramados mais sagrados da sua vida, para decidir quem leva a América. Imagino muito respeito ao River, mas entrega total ao Inter. Sua mais recente e eterna casa. Andrés seria o personagem da final. O cara.

Cinco mil brasileiros na Argentina e uns cinco mil argentinos aqui. Invasão de lado-a-lado. Isso dentro do estádio. Fora, mais uma nação de fanáticos itomando conta das ruas de Buenos Aires e Porto Alegre. Imaginem “Ruas de Fogo” na capital porteña e a Padre Cacique tomada de papel picado, como na final da Copa de 1978. Procurem no Youtube por Argentina vs Holanda, final daquele mundial. Olhem para o gramado branco, para entender o que digo.

Seria lindo. Um grande sonho.

Corta.

Voltamos para o dia 21 de julho de 2015. As semi-finais existem. Tem data e horário marcado. Não tem como adiar. É vida real, amigo. É Copa. Não existe final sem semi. Temos que nos beliscar, jogar um caminhão-pipa de água na cara. Ficar bem acordados e trincar os dentes. Vamos buscar essa classificação no México. Não tem saída. A vantagem é nossa. Que é justamente o gol que levamos em casa. Sim. Como disse antes, o Inter precisa da corda esticada e esse golzinho que sofremos é fundamental para nos deixar bem ligados. Pupilas dilatadas. Foco total. Não existe bola perdida. Faltam apenas 90 minutos para que meu sonho se realize. Ver o Inter em mais uma final de Libertadores.

Só o Inter? E o River?

Como já falei antes, seria lindo. A final dos sonhos. Mas o River que se vire sozinho. O Inter já me dá muito trabalho e realizar metade do meu sonho já me satisfaz. A outra metade do sonho é ser campeão.

 

João Pedro é publicitário, colorado doente e pai dos não menos colorados Xandi e Dado. Vamo, Inter!!!

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Soletti

Publicitário, gostaria de ter sido congelado na década de 90. Em 42 anos de vida, viveu dois momentos mágicos: o dia 17 de dezembro de 2006 e o choro convulsivo da filha de 5 anos quando foi ameaçada pelo Papai Noel de ganhar uma camiseta do Grêmio no Natal.

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