Colhões.

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5, 4, 3, 2…1! Feliz ano novo! Este grito está entalado na minha garganta. Estamos na metade do ano e 2016 ainda teima em não terminar. O pior ano da história do Internacional resiste bravamente, não quer acabar  e nos assombra todo o final de semana. Para ver o tamanho do estrago que foi feito. Obrigado, Piffero! Mas, por quanto tempo este fantasma vai nos assombrar? Depende. Só se assusta quem tem medo. E este é o sentimento que precisa ser varrido no nosso vestiário. Chegou a hora dos corajosos.

Sim, minha abordagem é bem simplista. Acredito muito em conceito de futebol e na sua aplicação planejada, consistente e continuada. Mas tem um fator importante no mundo da bola que nunca deve ser deixado de lado. O fator emocional. O estado anímico de um grupo faz parte do pacote. Não tem como separar. E neste aspecto, o Internacional de 2017 ainda está igual ao de 2016. A pressão sobre o gigante é imensa e só vamos sobreviver, se tivermos colhões. Sim. Não basta bola, tem que ter bolas.

Claro que falta jogar mais futebol e que só vontade não ganha jogo. Mas, vejam bem, mesmo jogando um futebol deficiente contra o ABC e o Juventude, a vitória estava nas nossas mãos. Ou pés. Saímos na frente, perdemos gols imperdíveis, tivemos a chance de matar os dois jogos até com certa tranquilidade. Mas, nos borramos e aceitamos dois empates no apagar das luzes. O mesmo filme do ano passado. O mesmo filme dos anos 90. Este ciclo perdedor tem que ser interrompido. Na marra. Na falta de futebol, tem que sobrar coragem e cabelo no peito. Falta alguém como Don Elias Figueroa, o maior de todos, o patrão da grande área. Depois da meia-lua, era território dele. Se quisesse entrar, o maxilar ficava na porta.

Não estou pregando a violência, e sim, indignação. No ano passado, não tínhamos ninguém desta linhagem. Neste ano, temos o D’Ale, único com este espírito. Mas sozinho, tem sido insuficiente.

Como falei, estou sendo bem simplista. Pedir raça, vontade, coragem é commodity. E na verdade, não precisaríamos nem pedir. Deveria vir de fábrica e são qualidades que ganham jogo, sim. São fundamentais para forjar times vencedores a longo prazo e mais importantes ainda para fazer um time sair de uma crise. Quem são destemidos no Inter de hoje? Quem vai delimitar as nossas fronteiras dentro de campo? Quem é vai assumir a chefia da nossa grande área e vai acabar com a festa na hora que bem entender? Quem é o dono do cronômetro? Quem vai levantar o braço e comunicar ao juiz, ao nosso time, ao time adversário que o jogo acabou? Precisamos de indignados. Se não tiver no grupo, tem que buscar.

Não se esqueçam. No ano passado, mesmo não jogando nada, absolutamente nada, e com Celso Roth na casa-mata, fomos rebaixados por dois pontos. Apenas dois pontos. Faltaram apenas alguns minutos de indignação. Caímos por falta de futebol. Mas por falta de colhões, também.

 

 

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João Pedro

João Pedro Vargas, publicitário, é pai do Xandi e do Dado, que se dizem colorados desde que habitavam o seu saco. Frequentador assíduo do Beira-Rio, desde que se conhece por gente, já foi de coréia, geral, superior, cadeira, camarote e sky box. Só faltava o Alambrado.

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