O Azedinho que era doce demais.

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Logo que o Alambrado surgiu, Wianey Carlet era um dos “ alvos ” preferidos. As suas citações exageradas e ranços logo viraram divertidos posts, curtidos e compartilhados pela comunidade Colorada. Em 2015, por exemplo, o Alambrado publicou campanha em defesa do Aguirre, treinador colorado na época. Um dos títulos de posts era: “ prova de que o Aguirre é um bom técnico: o Wianey não gosta dele ”.Esse movimento contra o folclórico “ Azedinho “ do Sala de Redação foi rebatido por ele, também com todas as forças, mas com boa educação, graciosidade e presença de espírito. Ele nos driblou, fácil, fácil. Queríamos o fígado do Wianey e ele nos entregou o coração, em várias oportunidades.

A grande verdade é que o Wianey tinha uma carcaça, era um personagem ranzinza, de péssimo humor, que xingava a todos, mas que escondia – entre um cigarro Camel e outro – aquele cara sensível e carismático. Eu sempre respeitei o Wianey e a sua capacidade de gerar bons negócios, de fazer a ligação direta entre os clientes, consumidores e marcas que trabalhamos juntos – principalmente nos últimos anos. No futebol, Wianey sabia muito. Certa vez, eu estava indo para casa do meu cumpadre assistir um jogo importante da seleção brasileira. Liguei o rádio e o Wianey estava atormentado, irado, com o Felipão. A escalação do time tinha saído e confirmado alguns problemas graves, alguns furos que o Wianey – tecnicamente – sublinhava, um a um. Wianey, gritando ao microfone, falou: “ vai dar tudo errado, tenho certeza “. Eu, com minha camisa amarelinha, achei exagerado. Resultado do jogo? Alemanha 7 X 1 Brasil.

Alguns já dizem que Wianey morreu de desgosto. Nunca saberemos. O que sei sobre a sua saída da RBS é que foi penalizado por falar a verdade. Exagerou, foi grosseiro, não devia ter comentado on air, mas, pelo que muitos falam, não mentiu. Era o personagem falando mais alto que o próprio Wianey.

O que fica aqui é um agradecimento carinhoso por todas as colaborações, junto com um abraço fraternal dos integrantes do blog para a Família e os amigos do Wianey. Aprendemos muito com o Azedinho, principalmente a ser mais leves, serenos e doces. Estará sempre presente na história do Alambrado Colorado.

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Bonetti

Publicitário, estava no Beira Rio no gol iluminado em 75, contra o Vasco no Invicto de 79, no pênalti do Célio Silva em 92, na final contra o São Paulo em 2006 e contra o Chivas em 2010. Tinha que estar aqui também.

1 comment

  1. Dorian R. Bueno 29 setembro, 2017 at 17:01 Responder

    DESCANSE NA PAZ DO SENHOR, QUERIDO WIANEY CARLET !!!

    O que seria do Colorado e jovem Taison, caso o Wianey Carlet não tivesse lhe comparado ao Argentino craque Messi?

    O que seria de um jogador de futebol se não tivesse um jornalista a sua volta especulando o seu dia-a-dia, dando força, malhando ou até mesmo quando ele tem personalidade assumindo que é torcedor do mesmo time?

    Um depende do outro para se dar bem nas profissões, só que um usa a chuteira e outro o microfone, mas sentem falta deste encontro quando não tem partida de futebol.

    Estes dois profissionais dependem um do outro para desenvolver suas atividades, um cheio de teses de palavras e o outro tentando mostrar que tem bola para justificar os seus salários.

    Sabe-se que a diferença de valores é tremenda devido ao talento, tempo de serviço, risco de vida que correm nos gramados e nas ruas da cidade, o resto são apenas singelas palavras escritas ou jogadas ao vento.

    Agradeço a Deus pelo fato de permitir que eu conhecesse este querido jornalista, e ter gozado da sua bondade para publicar junto com ele as minhas abençoadas crônicas desde 2014, no seu antigo BLOG no CLIC RBS.

    Abs. Dorian Bueno – Google+Plus, POA, 29.09.2017

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