ROGER

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Precisamos falar sobre Roger. Não sobre o atleta, o jogador de futebol, centro-avante de carteirinha.
Este Roger, quando foi anunciada a sua contratação no final de 2017, não me entusiasmava. Sempre foi apenas um jogador razoável, que viveu uma boa fase no ano passado. Jogou bem num time médio mas encaixado, onde ele fazia parte de um sistema bem montado. Ele ainda viria para a função do Damião, que voltou ao Inter com sangue nos olhos e fazia uma boa série B. Mas, ok. Vamos pensar na longa temporada, na possibilidade que existia do Damião sair e na montagem de um elenco mais robusto. Pensando desta forma, fazia sentido.
Pois neste final de semana, Roger marcou dois gols. Gols de centroavante. O primeiro de cabeça, furando literalmente o goleiro adversário. E o segundo, concluindo um rebote proporcionado por ele mesmo. Nos dois gols ele apontou para o céu. Gesto típico dos jogadores mais religiosos ou atletas de cristo. Meio commodity. Mas ao ver esta cena, me caiu a ficha. Não era simplesmente uma ação automática ou gratuita. Roger, naquele momento, estava fazendo o seu agradecimento à vida, que não tem sido fácil para ele.
No final do ano passado, ele teve um tumor benigno no rim. Teve que parar de jogar futebol por quatro meses, em um dos melhores anos da sua carreira. Não é fácil. E sempre que se ouve a palavra tumor, mesmo que seja benigno, arrepia até o menor cabelinho da alma do ser-humano. Pois Roger enfrentou este drama. Parou de jogar, fez o tratamento que deveria ser feito, retirou o tumor, voltou a treinar e no sábado, veio a recompensa: dois gols na sua reestréia para mais uma nova jornada.
Também no ano passado, conhecemos outra história deste cara. Em uma matéria do GloboEsporte, conhecemos a filhinha do Roger, que tem deficiência visual, sendo quase cega. Não teve quem não se emocionasse com o aqueles dois. Era amor puro. Dava para ver nos olhos do atacante a paixão que ele tinha por aquela menina. Por ela, ele moveria mundos, ele renasceria das cinzas, ele superaria qualquer obstáculo. Para quem não viu, segue o link da matéria: https://globoplay.globo.com/v/5960717/
A história do Roger nos mostra que jogadores não são apenas números. Cada atleta tem a sua própria história de vida e superação. E pensando nisso, achei foda o Inter ter contratado o Roger. Mudei meu pensamento frio e calculista. Investir em um jogador no momento de sua doença, mostra convicção pelo seu futebol e caráter. E eu tenho certeza agora, que o Internacional não contratou um atleta, contratou um homem digno. Que vai saber honrar a camisa vermelha. Se o Inter pretende voltar ao topo, precisa contratar estas histórias para o seu grupo.

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João Pedro

João Pedro Vargas, publicitário, é pai do Xandi e do Dado, que se dizem colorados desde que habitavam o seu saco. Frequentador assíduo do Beira-Rio, desde que se conhece por gente, já foi de coréia, geral, superior, cadeira, camarote e sky box. Só faltava o Alambrado.

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