TORCIDA GRANDE NÃO CAI

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Guilherme Milman

Não escolhi ser colorado, inclusive é uma história bem engraçada: meu tio, colorado fanático, disse que se eu não torcesse para o Inter ele não seria mais o meu tio. Chorei horrores, afinal queria que ele fosse meu tio, e então virei colorado. Mas acontece que meu pai e meu irmão eram gremistas, então, quando pequeno, mesmo colorado, ia aos jogos e torcia para o Grêmio, não por causa do time em si, mas porque sabia que ele fazia meu pai e meu irmão felizes.

Eis que um dia aprendi o que significava o verbo “torcer”, foi na batalha dos aflitos quando meu pai e meu irmão sofriam e se emocionavam em frente da televisão. Eu pensava: porque é tão importante assim subir para a primeira divisão? A resposta não estava na bola, no gramado ou nos jogadores, ia além disso. Foi então que eu descobri que torcer nada mais é do que uma maneira de praticar a fé, assim como a religião ou a astrologia. A gente torce para buscar a felicidade através da fé, motivo pelo qual eu torcia pelo Grêmio quando pequeno e motivo pelo qual acabei me tornando um colorado fanático na minha adolescência, graças à influência do meu tio. Torcer para um time de futebol se baseia em torcer para o sobrenatural, pois não depende de nós, resta a nós apenas assistir e esperar algo acontecer. Se você acha que torcer se trata apenas de ver a bola entrar, sinto em dizer: não é um torcedor, porque se assim fosse, a torcida só existira nos momentos bons.

Maldita fé: faz com que a gente sofra, e acredite no sobrenatural em situações já inimagináveis, situações como a de hoje, dia em que o “nunca rebaixado” caiu para a série B. Minha vontade agora é jogar no lixo minhas camisas vermelhas, minha carteirinha, meu saci e esquecer o futebol em 2017, mas a fé não deixa.

Maldita fé: hoje tu me ensinaste que sim, time grande cai, mas que torcida grande, essa jamais vai cair, vai estar sempre de pé torcendo, para buscar a felicidade dentro de si, assim como meu pai e meu irmão buscavam naquela tarde na batalha dos aflitos. Agora é minha vez e, por isso, se quiser me encontrar já aviso que, a partir de maio, minha terças e sextas-feiras estarão ocupadas.

 

Guilherme Milman tem 17 anos, é colorado fanático por influência de seu tio. 

About author

Thedy Corrêa

Músico, vocalista do Nenhum de Nós, tem como grande momento a recepção aos heróis colorados, em que estava no palco, em pleno Beira-Rio, e os campeões do mundo pisaram no gramado; vai criticar, elogiar, comentar, vibrar e TORCER MUITO SEMPRE.

1 comment

  1. PAULO ANDRÉ 14 dezembro, 2016 at 15:01 Responder

    Lembrando que o Inter já tem 1650 novos sócios desde a tragédia de domingo. Esta torcida me faz acreditar q vamos sair dessa mais fortes!

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