União e ação já

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Depois de mais uma derrota e a iminência de entrarmos na zona dos times rebaixados para a Série B, dormi mal. E na noite em claro, procurei me colocar na pele dos dirigentes colorados. Durante 10 anos trabalhei no Inter, convivi com boa parte deles e acompanhei alguns momentos complexos e de crise como este. Aprendi com dirigentes como Fernando Carvalho que na hora ruim, o negócio é se fechar e se unir.
Em primeiro lugar, vamos ser práticos. Não adianta ficar xingando, atirando pedras, direcionando toda a raiva ao presidente. Isso pouco importa agora. A hora é de emergência. E a emergência exige união de todos, caso contrário iremos para a Série B no ano que vem. Não é o momento de apontar culpados. Todos somos afinal escolhemos as pessoas que estão lá nos representando. Ninguém surgiu do nada. A hora é de ajudar. E para ajudar elaborei algumas sugestões:
1 – Presidente Piffero deve convocar o conselho consultivo composto por ex-presidentes e marcar reuniões para buscar um plano de emergência para evitar a queda para Série B. Não é o momento de petulância, de achar que há qualidade, que o time naturalmente irá sair deste buraco. Despois de 10 partidas sem vitória, não há nada que indique que mantendo as coisas como estão, haverá melhoras. É hora de mudança.
2 – Além do conselho consultivo, procurar os líderes dos principais movimentos políticos dispostos a colaborar. É hora de todos ajudarem independentemente de aliados ou não à gestão.
3 – Convocar os líderes das torcidas organizadas e pedir colaboração de todos. Não é o momento de protestos, de aumentar a pressão. É hora de carinho e afago aos atletas para que eles se sintam mais confiantes e confortados para tirar o Inter do buraco.
4 – Elaborar um plano de marketing que convoque a torcida e os sócios para os jogos em casa daqui pra frente. Temos que criar uma atmosfera de apoio em todos os 10 jogos restantes no Beira-Rio como se estivéssemos em uma final de campeonato. Dos 20 jogos restantes, é mais provável que alcancemos os 24, 25 pontos necessários em casa. É preciso apostar neles.
5 – O conselho consultivo deveria nomear os dois conselheiros de confiança mais próximos ao presidente que realmente tem competência para tirar o Inter deste momento. Não adianta um novo engenheiro, um novo advogado que pouca vivência de vestiário. É hora de quem já passou por isso e tirou o Inter de momentos dramáticos como este: Ibsen Pinheiro e Fernando Carvalho. Caso eles não possam estar presentes pelas suas atividades profissionais, servirão como um conselho extremamente qualificado para atuar com os que poderão ficar no dia a dia.
6 – Em caso de novo insucesso diante do Fluminense ou no jogo seguinte, dispensar o técnico Falcão. Ele é e sempre será nosso ídolo, mas tem pouca experiência e sucesso em situações como estas. O momento é de simplificar, de jogar fechado e de humildade. Falcão pode dar certo se um dia tiver tempo de treinamento e jogadores com qualidade e maturidade. No momento, não temos nem tempo, nem um grupo experiente. Somos formados basicamente por jogadores jovens (temos uma das médias de idade mais baixas do campeonato).
7 – Convocar os serviços de dois especialistas em situações como esta e que já provaram no Inter e em outros clubes como fazer para sair deste buraco. Cláudio Duarte como dirigente remunerado e Celso Roth como técnico.
8 – Vasculhar o mercado de Série A e B em busca de jogadores experientes, com ritmo de jogo, em forma, para as posições carentes. Agora é hora de experiência. Naturalmente os jogadores mais jovens irão sentir cada vez mais o momento difícil e serão mais suscetíveis a não conseguirem render.
9 – Traçar um plano de premiação aos atletas por resultados alcançados. Objetivo principal: manter-se na primeira divisão. Se o time for respondendo e pontuando, traçar um novo objetivo: chegar ao G-4. Mas o foco agora é tirar o time da zona perigosa o mais rápido possível, pensando jogo a jogo.
10 – Afastar os atletas que não poderão ajudar ou não estão dispostos a ajudar. Fechar o grupo, trabalhar com quem realmente está disposto a sofrer, se sacrificar daqui pra frente. Quem está bem fisicamente, quem está com cabeça pronta para o desafio. Os demais treinem à parte.
11 – Retirar o presidente Piffero das entrevistas. Sua imagem desgastada neste momento só ajuda a criar uma antipatia com a torcida. Escolher Ibsen, Carvalho, Claudião ou alguém do conselho consultivo ou dos grupos políticos que tenha facilidade de comunicação e empatia com os torcedores.
Mais uma vez insisto: como estamos, sofreremos muito ainda. Mas se continuarmos achando que tudo vai se resolver naturalmente, sem agir com a urgência que o momento existe, vamos seguir o mesmo destino de muitos outros clubes que um dia pensaram: “ah, não vamos cair, damos um jeito…” E sabemos como esta história acabou. Episódios assim acontecem todo ano. Se não nos unirmos e agirmos, teremos o mesmo destino.

Alexandre Corrêa é colorado, jornalista e, como a gente, está apavorado com o time e esta gestão pífia.

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Soletti

Publicitário, gostaria de ter sido congelado na década de 90. Em 42 anos de vida, viveu dois momentos mágicos: o dia 17 de dezembro de 2006 e o choro convulsivo da filha de 5 anos quando foi ameaçada pelo Papai Noel de ganhar uma camiseta do Grêmio no Natal.

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